Ricardo Mesquista, em palestra realizada pelo no Instagram da AEFC, reflete que vivemos em uma época de grandes contrastes. Temos acesso a informações do mundo inteiro em poucos segundos, conseguimos conversar com pessoas que estão distantes e contamos com recursos tecnológicos que aproximam, facilitam e transformam a vida.
Ao mesmo tempo, muitas pessoas se sentem ansiosas, cansadas e solitárias. Nas redes sociais, vemos viagens, conquistas, casas bonitas, corpos perfeitos e famílias sorrindo. Raramente vemos as preocupações, os medos, as inseguranças e as lágrimas que também fazem parte da vida de cada pessoa.
Sem perceber, começamos a comparar o nosso mundo íntimo com o mundo exterior dos outros. E, nesse cenário acelerado, algumas perguntas continuam sendo essenciais:
Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Por que estamos aqui?
A promessa de Jesus
No Evangelho segundo João, Jesus anuncia a vinda do Consolador:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador…” (João 14:16-17). Em seguida, afirma que o Consolador ensinaria todas as coisas e faria lembrar seus ensinamentos (João 14:26).
Ele não promete uma vida sem dificuldades, mas uma presença de um Consolador capaz de ensinar, esclarecer e fortalecer o ser humano diante das provas e dificuldades da vida.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec explica que o Consolador prometido é o Espírito de Verdade e que o Espiritismo vem cumprir essa promessa:
“O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo.”
Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo VI, item 4.
O Espiritismo não vem substituir Jesus. Ao contrário, conduz-nos novamente a Ele, ajudando-nos a compreender melhor seus ensinamentos e a aplicá-los na vida diária.
Jesus nos ensinou a amar, perdoar, servir, não julgar, recomeçar e cuidar uns dos outros. O Consolador recorda esses ensinamentos e mostra que eles continuam atuais, especialmente em um mundo marcado pela pressa, pela competição e pelo sofrimento.
A consolação pelo conhecimento
Uma das grandes consolações oferecidas pela Doutrina Espírita está na compreensão da vida espiritual. Somos Espíritos imortais, em processo de aprendizado e evolução. A existência atual é uma etapa de nossa trajetória, não o seu começo nem o seu fim.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta qual é o objetivo da encarnação. A resposta dos Espíritos é:
“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição; para uns, é expiação; para outros, missão. […]”
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, questão 132.
A Doutrina também ensina que o progresso acontece gradualmente. Em outra resposta, à pergunta “Qual o fim objetivado com a reencarnação?”, encontramos:
“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, questão 167.
Essa visão modifica a maneira como encaramos os erros e as dificuldades. Um erro não precisa definir uma existência inteira. Ninguém está condenado a permanecer exatamente como é hoje. Ainda podemos aprender, reparar, transformar sentimentos e construir novos caminhos.
O bem nunca se perde. Cada esforço sincero, cada gesto de amor e cada escolha em favor do bem contribuem para o nosso crescimento espiritual.
Podemos ser instrumentos do Consolador na vida de alguém
A Casa Espírita não é uma reunião de pessoas prontas. É uma escola de almas.
Chegamos trazendo nossas limitações, impaciências, conflitos, medos e dúvidas. Todos estamos aprendendo. Por isso, o conhecimento espírita não deve alimentar orgulho ou superioridade. Ele precisa transformar a nossa maneira de viver e de tratar as pessoas.
Conhecer a vida espiritual, a reencarnação e as leis divinas é importante. Mas o conhecimento só se completa quando se transforma em atitude. Saber que a vida continua deve tornar-nos mais esperançosos. Compreender a justiça divina deve tornar-nos menos acusadores. Aprender sobre a fraternidade deve levar-nos a agir com mais paciência.
Em Fonte Viva, Emmanuel resume esse compromisso com uma frase simples:
“A caridade fraternal é a chave de todas as portas para a boa compreensão.”
Emmanuel, Fonte Viva, capítulo 138, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
A caridade não está apenas nas grandes obras. Ela também aparece quando ouvimos sem interromper, quando evitamos um julgamento, quando telefonamos para alguém que está sozinho ou quando permanecemos ao lado de uma pessoa que sofre.
Talvez não conheçamos profundamente todos os livros. Talvez não saibamos responder a todas as perguntas. Ainda assim, podemos ser instrumentos do Consolador na vida de alguém.
Como viver o Consolador?
Viver o Consolador é levar esperança para dentro de casa, para o trabalho e para os relacionamentos. É lembrar que cada pessoa enfrenta lutas que não aparecem nas redes sociais. É pedir perdão enquanto ainda há tempo, fazer uma ligação, abraçar alguém e ter mais paciência.
Jesus não prometeu isenção das dificuldades. Prometeu que a verdade chegaria ao nosso coração e nos ajudaria a atravessá-las.
Se hoje estamos felizes, agradeçamos. Se estamos passando por alguma dificuldade, confiemos. Tenhamos sempre em mente que somos amados por Deus e que Jesus continua conosco.
A nossa história não terminou. Somos Espíritos em construção, caminhando passo a passo, experiência após experiência, em direção à evolução.
Acompanhe a íntegra da palestra que inspirou esta publicação:
https://www.instagram.com/reel/DcuQ_tLgLmh/
** Colaborou para esta publicação: Julia Fertig
* Imagem gerada por IA – ChatGPT