O que estamos fazendo com o nosso tempo?

Quando chegarmos ao plano espiritual, ninguém perguntará qual a nossa profissão, onde morava, o que tinha ou não tinha… será perguntado à nossa consciência: “O que fizeste de bem na…

O que estamos fazendo com o nosso tempo?

Em palestra na Associação Espírita Fé e Caridade, o expositor Nelson Mate abordou o tema Bônus-hora. Algumas questões foram linhas condutoras da conversa: “o que estamos fazendo com nossa vida?” e “como estou aplicando o tesouro do tempo?”

Refletir na mensagem do Cristo

Quando lemos no Evangelho os preciosos ensinamentos de Jesus, raramente nos damos ao trabalho de interiorizar, de refletir maduramente:

  • O que Jesus quis dizer com isso?
  • Como isso pode fazer diferença na minha vida?

Muitas vezes nos interessam detalhes da história, da palavra, da forma, estimulando apenas o intelecto. O intelecto é importante e uma primeira fase, mas que não promove a mudança se não ocorrer um momento seguinte: o de tocar-nos alguma fibra moral, de extrair para si o sumo, a essência da mensagem do Cristo.

E nos questionar:

  • Como posso aplicar isso no meu dia a dia? Na família, no trabalho, no trânsito, no mundo ao meu redor?…. e no mundo interior, na minha saúde mental, emocional e física?

Todas os ensinamentos de Cristo são nuances, camadas de uma mesma coisa: a Lei Divina. É essa lei de amor observada de vários ângulos, mas sempre ela. E que pode ser resumida no “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Ação e reação, lei natural

Busquemos refletir na seguinte afirmação de Jesus:

A cada um será dado conforme as suas obras.
— Evangelho de Mateus, 16:27.

O aviso precioso do Mestre nos ensina que “eu recebo da vida o que eu dou para a vida”. É a Lei de Ação e Reação que conhecemos da própria física, que para toda força de ação aplicada, existe uma força de reação com mesma intensidade, mesma direção e sentido oposto, e que essa força atua sobre o corpo que aplicou a ação inicial.

A Lei natural ou divina pode ser vista pelo ângulo da lei física e da lei moral. Se na física aprendemos Ação e Reação, no aspecto moral temos a Causa e Efeito. Para toda causa existirá um efeito correspondente. Também compreendida como “nós colhemos o que plantamos”.

E como lei divina, isso vale para o universo inteiro, mesmo desencarnados sentiremos os efeitos, o retorno, de nossas ações.

Vale ressaltar que o efeito de uma causa má não é uma punição de Deus, não “pagamos na mesma moeda”, visto que existe a Misericórdia Divina. O efeito é uma ação educadora, para nos fazer reconhecer nossos erros (como um alerta) e acertos (como a dizer siga em frente). A pedagogia divina age como “feedback” constante, nos ajudando a encontrar e a nos manter na rota evolutiva do ser, a prosseguir para o alvo.

Aliás, o pecado, o erro cometido, tão repetido em algumas religiões, no meio espírita é entendido no sentido similar à origem grega da palavra: errar o alvo. É o desvio da rota, o afastamento da lei divina e da felicidade verdadeira que ela pode nos proporcionar.

Me doar

Então quando Jesus diz que eu receberei o que eu dou para a vida, tenho que refletir “o que estou dando de mim para a vida?”. Como estou contribuindo para que pessoas a minha volta se sintam mais felizes e confortáveis espiritualmente?

Quando chegarmos ao plano espiritual, deixando o corpo físico, ninguém perguntará qual a nossa profissão, onde morava, o que tinha ou não tinha… será perguntado à nossa consciência: “O que fizeste de bem na tua encarnação?” “Qual a contabilidade disto?”

Exemplo de Nosso Lar

No livro Nosso Lar, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito André Luiz, explica-se uma cena interessante a se lembrar. Uma senhora estava hospedada há pouco mais de 6 anos na colônia espiritual Nosso Lar, e foi fazer um pedido ao Ministro Clarêncio, do Ministério do Auxílio. Ela pediu para ir à Terra socorrer seus filhos, que estavam passando por grandes dificuldades.

O Ministro questionou quantos bônus-horas ela tinha, isto é, quanto tempo ela investiu em trabalho, em ser útil na colônia espiritual. Visto que o bônus-hora é como se fosse uma ficha recebida pelo trabalho prestado no bem, que oferece direitos justos aos que se mostram dispostos a cooperar. Pois bem, a senhora respondeu que contribuíra 304 horas. Ela morava há aproximadamente 53.000 horas (6 anos) e contribuíra apenas em 0,6% do tempo em que ficou lá, não se esforçando para se adaptar às inúmeras oportunidades de trabalho.

Sendo assim, o Ministro Clarêncio esclarece sobre a tentativa de auxílio à senhora, mas ela não quis se ajudar ao não aceitar trabalhar. Sem o trabalho, não burilou o espírito e não estaria em condições de ajudar os filhos, como requisitou. Clarêncio explica:

O trabalho e a humildade são as duas margens do caminho do auxílio. […]
Antes de amparar os que amamos, é indispensável estabelecer correntes de simpatia. Sem a cooperação é impossível atender com eficiência. […]
Não duvido da sua dedicação aos filhos queridos, mas importa notar que haveria de comparecer por lá, como mãe paralítica, incapaz de prestar socorro justo.
— Nosso Lar, capítulo 13.

Aproveitar o tempo disponível para trabalhar, sendo útil para os outros, é dignificar o espírito. Ou seja, trabalhar pode ser escutar, acolher e cuidar do próximo, fazer a caridade. Ao trabalhar, criamos afinidades e geramos a simpatia ideal para sermos ajudados também: “Ajuda-te e o céu te ajudará!”

Que fazeis de especial?

Como nos questiona Jesus (em Mateus 5:46-47), se apenas amarmos os que nos amam e saudarmos somente nossos irmãos, que fazemos de mais, de especial? Os publicanos também não o fazem?

O que você está fazendo além das suas obrigações terrenas? Se não estamos fazendo sequer nossas obrigações, imagine além? Cada passo importa, bem sabemos, o primeiro passo buscando espiritualizar-se mais ainda. Mas esse questionamento é um convite, um alerta para estarmos mais conscientes.

No caminho da evolução, necessitamos primeiro buscar o conhecimento da lei divina, em seguida estar conscientes no dia a dia, para conseguir de fato praticá-la e vivenciá-la. Tudo é um processo, não estagnemos no primeiro passo.

Em face dos conhecimentos

No livro Vinha de Luz, Emmanuel reflete sobre esse tema:

Iniciados na luz da Revelação Nova, os espiritistas cristãos possuem patrimônios de entendimento acima da compreensão normal dos homens encarnados. Em verdade, sabem que:

  • a vida prossegue, vitoriosa, além da morte;
  • que estamos na escola temporária da Terra, em favor da iluminação espiritual necessária;
  • que o corpo carnal é simples vestimenta a desgastar-se cada dia;
  • que os trabalhos e desgostos do mundo são recursos educativos;
  • que a luz do Senhor clarear-nos-á os caminhos, sempre que estivermos a serviço do bem;
  • que toda oportunidade de trabalho no presente é uma bênção Divina;
  • que ninguém se acha encarnado em excursão de prazeres fáceis, mas, sim, em missão de aperfeiçoamento;
  • que a justiça não é uma ilusão e que a verdade surpreenderá toda a gente;
  • que a existência na Esfera física é abençoada oficina de trabalho, resgate e redenção;
  • e que os atos, palavras e pensamentos da criatura produzirão sempre os frutos que lhes dizem respeito, no campo infinito da vida.

Efetivamente, sabemos tudo isto.
Em face, pois, de tantos conhecimentos e informações dos Planos mais altos, a beneficiarem nossos círculos felizes de trabalho espiritual, é justo ouçamos a interrogação do Divino Mestre:
— Que fazeis mais que os outros?
— Vinha de Luz, capítulo 60.

Fora da caridade não há salvação

Acho que todos já pudemos fazer algum bem na vida, ajudar o próximo. E quando vemos um lampejo de alegria verdadeira, provocada por uma ação boa, percebemos o significado dessa frase: “Fazer o bem é o bem que me faz bem.”

Fazer a caridade é o que nos dá alegria real. Só o bem e o amor em movimento contam. Olhar nosso próximo com carinho e respeito, começando no lar. A família é uma das instituições mais preciosas para o crescimento espiritual de seus membros. Há todo um planejamento reencarnatório entrelaçado entre os familiares, sejam esses Espíritos simpáticos, a se entreajudarem, ou antipáticos, com pendências do passado a resgatar.

“Amar ao próximo como nós mesmos”. Olhemos para o próximo mais próximo de nós, o que mora conosco não por acaso. Aí está muitas vezes o desafio da caridade.

Por fim, quando olharmos para o Evangelho do Cristo, reflitamos profundamente: como posso me tornar melhor a partir desse conhecimento?

Lembremos que todos desencarnaremos e receberemos a colheita do plantio. Mas sobretudo, que cada dia é uma nova chance de usar bem o tempo, junto à nossos irmãos e em sintonia com a lei divina.

Acompanhe agora a íntegra da palestra que inspirou esta publicação:

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