Dependência química na visão espírita

Dentro da Casa Espírita, o dependente químico e sua família encontram um ambiente de acolhimento, consolo e esperança.

A dependência química é um dos maiores desafios da atualidade, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença grave, crônica e progressiva. Para a Doutrina Espírita, a compreensão desse transtorno vai além do corpo físico, alcançando as dimensões emocional e espiritual do ser.

Em palestra na Associação Espírita Fé e Caridade, a expositora Lúcia Silva discorreu sobre este tema, trazendo luz à obra “Dependência Química & Espiritualidade na Visão Médico-Espírita”, organizada pela Associação Médico-Espírita Brasileira (AME). Abaixo, compartilhamos os principais pontos dessa reflexão necessária.

O Que é a Dependência Química?

Diferente do senso comum que muitas vezes associa o termo apenas a drogas ilícitas, a dependência química abrange também substâncias lícitas, como o álcool, o tabaco e o uso não prescrito de medicamentos calmantes.

Do ponto de vista científico e espiritual, a dependência causa:

  • Alterações Neuroquímicas: Acomete o sistema de recompensa do cérebro, provocando a perda do autocontrole e do julgamento.
  • Danos ao Perispírito: As drogas liberam componentes tóxicos que impregnam as “delicadas engrenagens do perispírito”, atingindo-o por longo tempo.
  • Vulnerabilidade Espiritual: O uso de substâncias facilita processos de obsessão e vampirismo, onde espíritos desencarnados ainda apegados ao vício buscam satisfazer seus desejos através do usuário.

O que é Perispírito? É o corpo fluídico que serve de ligação entre o Espírito (alma) e o corpo físico.

  1. Obsessão: É a influência persistente de um espírito sobre outro.
  2. Vampirismo: Processo onde espíritos desencarnados, ainda apegados ao vício, “sugam” as energias e sensações do usuário encarnado para satisfazer seus próprios desejos.

A Visão Espírita: Esclarecer em Vez de Proibir

Entendendo o planeta Terra como uma “grande escola de almas”, a Doutrina Espírita não tem o papel de impor proibições ou utilizar o medo, mas sim oferecer o esclarecimento. Como destacou a palestrante, a doutrina nos convida ao uso consciente do nosso livre-arbítrio.

“A Doutrina Espírita não se utiliza de proibições ou do amedrontamento das pessoas para atingir seus objetivos, e sim de esclarecimentos que são transmitidos, respeitando o tempo e o livre-arbítrio individual,” afirma a palestrante.

Dentro da Casa Espírita, o dependente e sua família (codependentes) encontram um ambiente de acolhimento, consolo e esperança. É importante lembrar que o tratamento espiritual não exclui o acompanhamento médico e psicológico; eles são complementares e fundamentais para o êxito da recuperação.

O Papel do Exemplo e a Prevenção

Um ponto de alerta trazido na palestra refere-se ao hábito de beber “socialmente”. Estudos indicam que a genética pode aumentar de 3 a 4 vezes a prevalência de transtornos por uso de álcool em parentes de primeiro grau.

Para os pais e, especialmente, para os pais espíritas, o comprometimento é ainda maior. O exemplo no lar é a ferramenta de prevenção mais eficaz para crianças e jovens. O uso de substâncias, mesmo que lícitas, pode ser considerado um “suicídio indireto”, dado o desprezo à saúde do corpo físico que nos foi confiado para a evolução espiritual.

Apoio Fraterno: Onde Buscar Ajuda

Para auxiliar nesse processo, o Departamento de Saúde Mental da AME-Brasil organiza o Apoio Fraterno (AF), um grupo de ajuda mútua para dependentes e codependentes baseado em princípios cristãos e na espiritualidade.

Diferente de uma cura rápida, o AF propõe uma “vida em recuperação” baseada em princípios espirituais. Alguns dos 12 temas trabalhados são:

  • A Porta Estreita: O esforço necessário para a mudança de hábitos.
  • Culpa X Responsabilidade: O entendimento de que não podemos mudar o passado, mas somos responsáveis pelo presente.
  • O Poder da Oração: Valorizada como método para controlar o desejo intenso e quase incontrolável pela substância.
  • Missão dos Codependentes: O acolhimento aos familiares, que também adoecem psicologicamente na convivência com o dependente.

O grupo oferece reuniões presenciais e online, focadas no acolhimento incondicional e na reestruturação de vida.

Informações e Contatos:

Encarar a dependência como doença é o primeiro passo. A palestrante nos convida a abandonar hábitos como o “beber socialmente” para servirmos de exemplo real dentro de nossos lares. A felicidade real não é momentânea como a da droga, mas construída na consciência e no amor.

Assista à palestra completa que inspirou essa publicação:

*Imagem em destaque via DALL.E do ChatGPT.

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